Feb 132014
 

moda japonesa bannerIntrodução à Moda Japonesa – Dia 9 de março de 2014 (d0mingo) – das 14 às 17 horas
Taxa única: R$ 10,00
Local: Associação Cultural Mie Kenjin do Brasil – Av. Lins de Vasconcelos, 3352 – na saída do metrô Vila Mariana, São Paulo.

Conteúdo:
Um país pequeno de 127 milhões de habitantes, mas cujo mercado de moda moveu impressionantes 128 bilhões de Euros (ou US$ 172.800 bilhões, ou R$ 414.720 bilhões) em 2013 e que vem crescendo de forma estável, na casa de 2% ao ano. Estamos falando do Japão, onde modernidade e tradição coexistem, e para onde os caçadores de tendências vão se antenar com a vanguarda.
Muito do que o olhar ocidental traduz como mera extravagância ou esquisitice étnica tem na verdade fundamentos históricos e culturais – conhecimento sem o qual é difícil identificar os movimentos sólidos de moda e comportamento do Japão, e que também dificulta a penetração de produtos estrangeiros no variado e competitivo mercado nipônico. Conhecer as características da moda japonesa – gostos, estéticas e valores da sociedade – é fundamental para saber como encontrar um nicho num mercado extremamente variado e competitivo e o que produzir.

© CONOMI (Seifuku)

© CONOMI (Seifuku)

A palestra MODA JAPONESA é uma introdução aos 3 “mundos” diferentes que convivem em termos de conceito, estilo de vida e estética no país (wafuku, yõfuku e moda alternativa), ao dress code japonês, e sobre como designers e as ruas do Japão vêm influenciando a moda no Ocidente.

A quem se destina:
Profissionais da moda, estudantes de moda, design e artes em geral, e interessados em cultura pop japonesa.

Palestrante: Cristiane A. Sato
Formada em Direito pela Universidade de São Paulo, publica artigos sobre cultura popular e história japonesa em jornais e revistas desde 1993. Autora do livro “Japop – O Poder da Cultura Pop Japonesa” (2007), atualmente prepara um livro sobre moda japonesa. Ministrou palestras em eventos no Centro Cultural Itaú, Sesi, Sesc, Senac, USP, Fundação Japão, Embaixada e Consulado Geral do Japão, entre outros.

© Egoïst (Celebrity Gyaru)

© Egoïst (Celebrity Gyaru)

Maiores informações: abrademi@abrademi.com. Inscrições pelo Sympla ou no próprio local.

Feb 132014
 

cintia souza
INTRODUÇÃO AO DESIGN GRÁFICO JAPONÊS (Módulo 1)
Data: Domingo, 09 de março de 2014 – das 9h – 12h
Local: Associação Cultural Mie Ken – Av. Lins de Vasconcelos, 3352 – 1º andar – saída do metrô Vila Mariana – São Paulo.

Taxa Única: R$ 38,50 (incluindo apostila)

Conteúdo da aula:
- Elementos gráficos japoneses e símbolos do Japão;
- Noções básicas de ordem de escrita japonesa e tipos de escrita;
- Teste de criatividade e estimulação visual para orientalização do design;

Ministrante:
Cíntia Souza é Designer Gráfica, publicitária, consultora em arte e cultura japonesa. Graduada em Marketing e Propaganda pela UNESA. Especialista em pictogramas, e marcas criadas e evoluídas a partir do kanji dentro da arte do Shodô (Caligrafia Japonesa) pela escola de belas artes Yuzawaya, no Japão.

Público alvo: Pessoas do meio publicitário e de marketing que estejam sintonizados ou desejam entrar em contato com o mercado nikkei ou japonês. Artistas gráficos / visuais / diagramadores, ilustradores e estudantes de design, artes plásticas, etc., que tenham interesse em adquirir novos conhecimentos para agregar um diferencial em sua profissão.

Material que o aluno deverá trazer de casa para aproveitar plenamente a aula:
- (1) Computador portátil, MAC ou PC com Photoshop, ou qualquer programa vetorial como Corel ou Illustrator. O ideal que tenha instalado qualquer Pacote Adobe CS3 / CS4 / CS5 / CS6 que permita a ação da vetorização;
- (1) Extensão elétrica de 5 metros;
- (1) Pendrive;
- (1) Estojo com lápis, borracha, canetinha hidrográfica, lápis de cor, régua, lápis de cera … enfim qualquer material de sua preferencia que auxilie em um no processo de rough ou ilustração;
- (1) Caderno com pauta para realizar brainstorm e rough.

Informações: abrademi@abrademi.com

Inscrições: pelo Sympla (no botão de inscrição), ou no próprio local – Av. Lins de Vasconcelos, 3352 – Vila Mariana, com a Amélia. A promoção é da Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações – Abrademi

Jan 292014
 

No Japão dizem que a prova definitiva de que algo ou alguém é popular no mundo inteiro é quando a coisa ou a pessoa ganha uma versão em mangá. Estadistas, benfeitores da humanidade, celebridades do esporte já foram objeto de mangás. Por exemplo, Ayrton Senna teve a vida contada em quadrinhos no Japão em duas séries nos anos de 1990 e 1991 na revista “Shõnen JUMP”, no auge de sua carreira.
A mais recente iniciativa quadrinhística do gênero ocorreu com a série inglesa “Sherlock” da TV BBC. Com roteiro de Mark Gatiss (da série “Doctor Who”) e Steven Moffat (“Doctor Who” e “As Aventuras de Tintim”, em conjunto com Steven Spielberg), a série atualiza os personagens de Arthur Conan Doyle, originalmente criados na Era Vitoriana, para a Inglaterra do século 21. Agora Sherlock Holmes é um detetive “sociopata altamente produtivo”, hiperativo viciado em fumo com sérios problemas de adaptação social, mas que canaliza seus distúrbios para a solução de casos para fugir da sensação de tédio que o leva à beira do suicídio. Já o Dr. John Watson é um médico do exército britânico que após anos de serviço no Afeganistão acaba de voltar à Inglaterra e à vida civil. Traumatizado pela guerra, o doutor faz terapia e na procura de um emprego acaba conhecendo Sherlock. Reconhecendo a habilidade do doutor com a medicina, armas e um certo vício em adrenalina de ação, Sherlock propõe a Watson a clássica parceria para resolver casos que envolvem espionagem e tecnologia da informação.
sherlock da BBCSherlock é interpretado por Benedict Cumberbatch (Khan em “Star Trek Além da Escuridão”) e o Dr. Watson é feito por Martin Freeman (Bilbo Baggins da trilogia “O Hobbit”). A série, que começou em 2010 na Inglaterra, teve de início uma resposta modesta do público. Mas com esmerada edição e roteiros inteligentes, nos anos seguintes “Sherlock” cativou o público jovem, virou uma febre na Internet e a BBC decidiu produzir novos episódios. A 3a. temporada, exibida nas duas primeiras semanas de janeiro de 2014, consagrou o fenômeno. “Sherlock” tornou-se a série de maior audiência da BBC em dez anos (12 milhões de espectadores de acordo com Broadcasters’ Audience Research Board), e um grande sucesso comercial ao ser vendida para mais de 200 países e gerar produtos licenciados diversos, além dos DVDs e Blue-rays. E a venda dos livros de Conan Doyle também cresceram pelo mundo afora após a estréia da “Sherlock”.
sherlock mangasherlock manga capaDemonstrando faro para o sucesso, em 2012 a editora japonesa Kadokawa Shoten negociou com os autores de “Sherlock” os direitos para produzir uma versão em mangá da série da BBC. Aliás, esse foi o primeiro licenciamento internacional de produtos da série. O resultado foi “Sherlock: Pinku Iro no Kenkyuu”, mangá desenhado por JAY e que vem sendo publicado em capítulos na revista “Young ACE”. Elementar, né?

Matéria publicada em www.culturajaponesa.com.br por: Cristiane A. Sato, autora do livro JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa

Jan 202014
 

“Kaguya Hime no Monogatari” (traduzido, “O Conto da Princesa Kaguya” – ainda sem título em português) é o mais recente filme do Studio Ghibli, premiado estúdio de animação japonês (Urso de Ouro de Melhor Filme do Festival de Berlim 2002 e Oscar de Melhor Animação em 2002 com “A Viagem de Chihiro”), que estreou nos cinemas japoneses no final de novembro de 2013. Baseado num tradicional conto folclórico japonês de mesmo nome, “Kaguya Hime no Monogatari” marca a volta de Isao Takahata, célebre diretor japonês que havia se aposentado da produção direta de animações para assumir a diretoria executiva do Studio Ghibli, do qual é sócio com o diretor de “A Viagem de Chihiro”, Hayao Miyazaki. “Kaguya Hime no Monogatari” é o primeiro animê dirigido por Takahata em 14 anos (o último foi “Hõhokekyo Tonari no Yamada-kun – My Neighbors the Yamadas”, não exibido em circuito comercial no Brasil).

Takahata, famoso por suas animações charmosas que mostram a infância com doçura característica, adotou a estética tradicional de ilustração de contos infantis em aguada em sua versão de “Kaguya Hime no Monogatari”. Trata-se da história de um casal de camponeses idosos sem filhos que encontram uma criança no interior oco de um pé de bambu mágico brilhante. Eles adotam a bebezinha, que rapidamente se transforma numa linda jovem, e se tornam imensamente ricos devido aos bambus mágicos. Logo aparecem vários pretendentes à mão da princesinha, que apesar de feliz com seus pais adotivos sofre por estar destinada a ter de partir para um reino distante na próxima lua cheia.

A estréia de “Kaguya Hime no Monogatari” no Japão trouxe várias especulações na mídia local a respeito do futuro do Studio Ghibli, cuja imagem está fortemente vinculada ao diretor Hayao Miyazaki e que anunciou sua aposentadoria ao lançar seu último animê em julho de 2013, “Kaze Tachinu” (título em inglês “The Wind Rises”, ainda sem título em português). Apesar de respeitados e célebres, Takahata e Miyazaki já possuem idades avançadas (78 e 73 anos, respectivamente) e ainda há incertezas quanto ao futuro do estúdio criado por eles e seu legado. Não se sabe ainda se “Kaguya Hime no Monogatari” será indicado ao Oscar, mas “The Wind Rises” de Miyazaki tem conquistado vários prêmios em mostras e festivais internacionais, como o da Associação dos Críticos de Nova York. Entretanto, apesar de sua mensagem pacifista, pelo fato de “The Wind Rises” ser baseado na história real do engenheiro que criou o caça Mitsubishi Zero, usado pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial, e por mostrar personagens que fumam (porque na vida real eram fumantes), o animê foi alvo de protestos na Coréia do Sul e nos Estados Unidos e sua indicação para o Globo de Ouro e o Oscar, mesmo com o apoio da Disney, ficaram pendentes até o último instante.

Assim, mesmo que “The Wind Rises” concorra, as chances de Miyazaki levar alguma das estatuetas são mínimas. No Japão, entretanto, “The Wind Rises” foi até o fim de dezembro/2013 a maior bilheteria dos cinemas no país (¥ 119,513,192). “Kaguya Hime no Monogatari”, apesar do lançamento em baixa temporada, em pouco menos de 2 meses de exibição alcançou a soma considerável de ¥ 19,217,168, batendo concorrentes internacionais de peso como “Guerra Mundial Z” com Brad Pitt, “Oz Mágico e Poderoso” com James Franco e Rachel Weisz, “Oblivion” com Tom Cruise, e o último Wolverine com Hugh Jackman.

Por Cristiane A. Sato – autora do livro “JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa“

 Posted by at 8:29 pm
Jul 142013
 

O 16º Festival do Japão 2013 é o maior evento ligado a cultura japonesa realizado no Brasil. Além das apresentações tradicionais, o Festival do Japão possui também atrações de cultura pop, como a banda Gaijin Sentai, a cantora japonesa Tsubasa, e para os fãs de cosplay, tem o WCS World Cosplay Summit, cuja etapa final brasileira é realizada no palco principal do Festival do Japão. Há também o Akiba Space, um espaço para os fãs de mangá, animê, cosplay e games. Enfim, há muito para apreciar, aprender e comprar no 16º Festival do Japão 2013, que acontece nos dias 19, 20 e 21 de julho de 2012, no Centro de Exposições Imigrantes. Há ônibus gratuitos saindo da estação do metrô Jabaquara até o evento, para ir e voltar tranquilamente, sem se aborrecer com o caro estacionamento do Centro Imigrantes. Veja outras informações nos links abaixo:
16º Festival do Japão 2013 – programação do palco principal
16º Festival do Japão 2013 – programação do palco cultura e artes marciais
16º Festival do Japão 2013 – culinária japonesa na praça de alimentação
16º Festival do Japão 2013 – WCS cosplay e Akiba Space

Aug 152012
 

Foi realizado no dia 29 de julho de 2012 o 3º Meeting (Encontro) Nacional de Moda Lolita em São Paulo/SP. Organizado na forma de fashion tea party o Encontro ocorreu no Café Paon, conhecido restaurante e casa de shows de Moema.

“Nos anos anteriores os meetings foram feitos por outros coordenadores e de forma mais tímida. Quando assumimos a organização do Encontro este ano quisemos fazer algo mais próximo dos eventos do gênero feitos no Japão, que são feitos em salões de chá de hotéis 5 estrelas, e foi ótimo termos encontrado apoio no Café Paon ao nosso projeto”, contaram as organizadoras do Encontro, Aline Yui de B. Gomes e Andréa P. Portoghese.

Tratou-se de um evento reservado, limitado a 80 participantes, mas cujos ingressos foram esgotados rapidamente. Sobre o caráter exclusivo do Encontro, Andréa disse: “nos surpreendemos com a procura, visto que o estilo (Lolita) tem poucas adeptas no Brasil. Para o ano que vem vamos tentar ampliar a capacidade de participantes”.

Talvez o interesse pelo evento tenha ultrapassado as expectativas da organização devido ao fato de que apesar do título do evento ser “Moda Lolita” esta foi a primeira vez que o Encontro foi aberto a outros estilos. “O street fashion japonês é muito variado e está só começando no Brasil. É pouquíssima gente, mas queremos divulgar mais esse universo e foi por isso que neste ano decidimos também receber pessoas que seguem outros estilos que tem características comuns com as Lolitas, como Gothics, Aristocrats, Visual Keis, etc.”, explicou Yui.

Jovens com idades que variaram de 12 a 28 anos vieram de Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro e de várias cidades do interior paulista além da capital, São Paulo. Foi uma tarde servida por variado buffet de chás, sucos, tortas salgadas, bolos e doces e atividades como sorteios de acessórios Lolita, revistas de street fashion, livros e distribuição de brindes. “Como não temos como fazer um desfile de moda apropriado do jeito que é no Japão, fizemos uma brincadeira, que foi a eleição por aclamação da miss de cada estilo Lolita escolhida entre e pelas meninas que vieram ao Encontro. Isso também propiciou uma maior interação entre as pessoas porque uma boa parte delas não conhece mais ninguém que curta street fashion japonês e o Meeting é a primeira oportunidade de contato de verdade com o assunto”, contou Andréa.

 Veja as fotos – (fotógrafo: Renato Uchoa)

 Posted by at 8:34 pm
May 162012
 

O mais tradicional evento de Yosakoi Soran no país está com inscrições abertas de 15 de maio a 15 de junho

Dançarinos de Yosakoi Soran – a contagiante dança japonesa – tem até o dia 15 de junho para inscreverem seus grupos e disputar a categoria Grand Prix de 2012 (melhor apresentação), além dos três primeiros colocados em cada categoria (adulto e juvenil). Ao todo, serão distribuídos R$ 20 mil em prêmios. Este ano, o Festival Yosakoi Soran chega a sua décima edição e acontecerá no dia 29 de julho, na cidade de São Paulo, no Espaço Via Funchal, com duas apresentações: às 12h e às 17h.

As inscrições estão limitadas a 20 grupos, com o mínimo de oito dançarinos cada, nas categorias: juvenil (idade média de 15 anos) e adulto (acima de 15 anos). O regulamento estipula o uso obrigatório do Naruko (chocalho japonês) e da expressão Soran Bushi durante a coreografia. A apresentação deverá durar no máximo cinco minutos e poderá ser criada com base em qualquer ritmo e gênero musical. Os grupos serão avaliados pelos critérios de técnica, harmonia, criatividade e conjunto. As inscrições podem ser feitas até 15 de junho, exclusivamente pelo site:www.yosakoisoran.org.br.

Yosakoi Soran

O Yosakoi Soran nasceu da mistura de dois estilos musicais regionais do Japão (Yosakoi Bushi e Soran Bushi). O Yosakoi – “a noite vem” – é um tipo de música originária da província de Kouchi, dançada pelos jovens nas ruas, de maneira viva e vibrante. Soran é uma canção folclórica rítmica, comum entre os pescadores de Hokkaido, que usam a expressão como um grito de guerra. Saiba tudo sobre o Yosakoi Soran no link:culturajaponesa.com.br

No Brasil, o Festival acontece sempre no inverno e já é considerado o grande carnaval japonês, contagiando um público de cerca de 3 mil pessoas por edição. As duas primeiras apresentações do Festival de Yosakoi Soran aconteceram ao ar livre, no bairro da Liberdade, em 2003, e no Parque do Ibirapuera, em 2004. Desde 2005, os grupos se apresentam na Via Funchal, localizada na Vila Olímpia, em São Paulo.

10º Festival Yosakoi Soran

Inscrições gratuitas
Prazo: até 15/06/2012

Ficha de inscrição e regulamento no site: www.yosakoisoran.org.br
Apresentação: 29/07/2012, no Espaço Via Funchal, às 12h e às 17h.
Informações: (11) 3541-1809 e yosakoisoran@gmail.com

 Posted by at 10:20 am
Aug 242011
 

autor: Francisco Noriyuki Sato

Ano de 2011, em São Paulo. Um grupo de 37 dançarinos, formado por crianças e adolescentes, brilha no amplo palco do Via Funchal, na Vila Olímpia. O grupo é o Tomodachi, da cidade de Birigui, da região Noroeste do Estado de São Paulo. O evento é o 9º Festival Yosakoi Soran, uma competição de dança, realizado no dia 31 de julho, com a participação de 16 equipes de todo o Brasil.

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Os jovens birigüienses, que participaram pela quarta vez desse evento, saíram do palco ovacionados pelo público e aplaudidos pelos jurados. Como resultado, receberam o título de primeiro lugar em sua categoria, a juvenil.

Na entrega dos prêmios, era visível a alegria contagiante do grupo, que não era apenas por vencer a competição, já que haviam conquistado a mesma classificação no ano anterior. A alegria e as lágrimas emocionadas se fizeram jus, porque não foi fácil, porque houve muito preparo para que aquela coreografia desse certo. Enquanto outros grupos apresentaram uma coreografia próxima do tradicional, o Tomodachi de Birigui levou ao palco uma apresentação mais dinâmica e complexa. Afinal, quem criou aquela coreografia original?

Voltando no tempo, o ano é 1961 e o lugar é Tóquio, a capital japonesa. O jovem escultor Hisao Ohara, de 29 anos, e sua esposa, a bailarina e coreógrafa Akiko Ohara (foto abaixo), de 26 anos, preparam suas malas para uma viagem inesquecível ao Brasil. Mas não iriam fazer turismo. Haviam decidido morar na Fazenda Yuba, em Mirandópolis, onde o patriarca Isamu Yuba, visualizava uma nova fase cultural em sua comunidade, com a construção do teatro e o ensino da arte da escultura.

O casal chegou no dia 14 de dezembro daquele ano, e a comunidade começava a construir o seu teatro, onde a experiência de Hisao, formado em Belas Artes e com vivência em atuação, cenografia e iluminação, seria muito útil. Enquanto isso, as crianças ensaiavam as peças que seriam apresentadas na festa de Natal, e Akiko, com experiência em coreografia para televisão, começou a orientá-las. Logo, Akiko passou a ensinar balé moderno a esse grupo, formando o famoso balé de Yuba, que divulgaria o nome da fazenda comunitária para todo o mundo.

Do balé moderno ao yosakoi soran de Birigui

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMais de 40 anos depois, em 2003, o grupo de balé de Yuba participou do 1º Festival Yosakoi Soran, que foi realizado no bairro da Liberdade. O grupo já tinha o “Soran Bushi” (uma das danças que deu origem ao Yosakoi Soran) em seu repertório, e foi fácil fazer a adaptação para o evento, que naquele ano, não teve caráter competitivo. Já no ano seguinte, Yuba venceu o Festival.

Há alguns anos, o Yuba não participa desse evento, devido aos afazeres de seus jovens integrantes, mas a coréografa Akiko Ohara continua em ação. Ela é a autora da bela coreografia do grupo Tomodachi de Birigui.

Em 2008, preparando as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa, Noemia Sakai teve a ideia de montar um grupo de yosakoi soran em Birigui. Sabendo da sua tradição na arte da dança, solicitou ajuda à comunidade Yuba, que prontamente enviou a professora Saki para formar um grupo na cidade. No mesmo ano, Birigui conquistou o segundo lugar no Festival de Yosakoi Soran.

Infelizmente, a professora Saki foi para o Japão, e o grupo ficou sem orientadora. Mesmo assim, com muita coragem e determinação, e sem nenhuma ajuda dos pais, os 16 jovens do Tomodachi prepararam o show, treinaram por conta própria, arrumaram um microônibus, pago pela Associação Cultural e Esportiva de Birigui e pelo Fujinkai (departamento de senhoras), e foram para o Festival. “Nem mesmo um lanche nós pais levamos para eles”, conta Monica Terumi Endoh Baba, mãe de duas dançarinas, que completa: “Quando um coordenador do evento disse-lhes que, se o grupo tivesse mais integrantes, poderia ter conseguido o terceiro lugar, eles choraram muito”.

Foi então que Monica e outros pais, tios e avós perceberam que esses jovens mereciam todo o apoio da comunidade. Noemia Sakai teve de se afastar da coordenação por motivo de saúde, e Monica assumiu esse posto, sendo apresentada à coreógrafa Akiko Ohara da comunidade Yuba. E dessa vez, a própria professora Akiko resolveu aceitar o trabalho de orientar os jovens de Birigui.

Desde então, ela e suas assistentes, Julia, Emi e Marian, viajaram todos os sábados durante quatro meses, da comunidade Yuba até Birigui, num percurso de quase 150 km, para coreografar e preparar o grupo. O resultado foi o primeiro lugar conquistado em 2010.

A coreografia do Tomodachi

Os pais, por outro lado, trabalharam intensamente, vendendo rifas, fazendo pizzas e pastéis e até organizando bailinhos no Carnaval para arrecadar fundos para o grupo, que não tem patrocínio de grandes empresas.

Depois da vitória em 2010, Monica deixou a coordenação do Tomodachi, ficando Ikuo Suzuki, líder do beisebol na cidade, em seu lugar. Monica continuou ajudando nos treinos e incentivando a equipe.

Este ano, o Tomodachi ganhou uma música original, composta especialmente para o grupo no Japão por Mitsushi Jindai e com arranjo de Masakatsu Yazaki. A partir dessa música, a professora Akiko criou a coreografia com o tema “Aki no Kaze” (Vento de Outono). A professora e sua equipe repetiram as viagens e a dedicação do ano anterior, e o resultado foi mais uma vitória em 2011.

Questionada sobre a nova coreografia, que lembrava a do teatro de Takarazuka, a professora explicou que todas as danças de palco, incluindo a de Takarazuka, são feitas para serem apreciadas pelo público que está no outro lado, e nesse sentido, são semelhantes entre si (o que é diferente do “bon odori” que é dançado em círculo e o público assiste ao redor). “Mas, no fundo, talvez haja alguma influência do teatro de Takarazuka”, comentou Akiko, hoje com 76 anos. O motivo é que o casal Haruo e Akiko Ohara sempre apreciou o Takarazuka e, enquanto morava no Japão, assistiu a todos os shows desse grupo teatral quando se apresentava em Tóquio. Quando Takarazuka visitou o Brasil na década de 70, o casal Ohara viajou a São Paulo para vê-lo no Teatro Municipal. O Takarazuka tem origem na cidade do mesmo nome, e se caracteriza por um elenco exclusivamente feminino. Na origem, em 1914, ele foi influenciado pelos musicais de Londres, Paris e Nova Iorque.

A prova de que, com esforço, tudo se consegue

A coreografia foi bem elaborada, mas como treinar um grupo heterogêneo de 36 integrantes que tem desde uma menina de 7 anos a jovens de 21 anos? Sendo que uma delas é 100% deficiente auditiva?

A resposta está na motivação do grupo. A professora Akiko conta que vale a pena o sacrifício ao ver crianças e jovens tão dedicados e motivados, como o Luiz Henrique Suzuki, de 17 anos, que apesar de ter que estudar para os exames vestibulares, liderou os colegas, treinando-os durante os dias da semana.

Garotos empenhados como o garoto Vitor Ken Nagano, de 9 anos, que quebrou o braço a 8 dias do Festival, mas se apresentou mesmo assim, com o braço engessado. E dançou tão bem que ninguém reparou nesse detalhe. “São histórias assim que mantém o grupo unido e forte”, comenta Monica Baba.

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E são histórias desse tipo que fornecem energia para a professora Akiko Ohara. Ela, por sua vez, sofre de dores nas pernas e nos pés, e adiou uma cirurgia para depois do Festival de 2010, para poder treinar os esforçados jovens. Este ano, novamente, esperou terminar o Festival para se submeter à nova cirurgia. “Ela nunca reclamou nada e só ficamos sabendo muito tempo depois”, lembra Monica.

A professora Akiko Ohara e o grupo Tomodachi de Birigui mostram, com seus exemplos, que o antigo e verdadeiro espírito japonês “yamato damashii” ainda existe dentro da comunidade nipo-brasileira. Cabe a nós preservá-lo.

Francisco Noriyuki Sato é jornalista e editor, autor dos livros “História do Japão em Mangá”, e “Banzai!”, entre outros. É editor do site www.culturajaponesa.com.br.

 Posted by at 8:36 pm