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UM EXEMPLO QUE VEM DE BIRIGUI Ano de 2011,
Na entrega dos prêmios, era visível a alegria contagiante do grupo, que não era apenas por vencer a competição, já que haviam conquistado a mesma classificação no ano anterior. A alegria e as lágrimas emocionadas se fizeram jus, porque não foi fácil, porque houve muito preparo para que aquela coreografia desse certo. Enquanto outros grupos apresentaram uma coreografia próxima do tradicional, o Tomodachi de Birigui levou ao palco uma apresentação mais dinâmica e complexa. Afinal, quem criou aquela coreografia original? Voltando no tempo, o ano é 1961 e o lugar é Tóquio, a capital japonesa. O jovem escultor Hisao Ohara, de 29 anos, e sua esposa, a bailarina e coreógrafa Akiko Ohara (foto abaixo), de 26 anos, preparam suas malas para uma viagem inesquecível ao Brasil. Mas não iriam fazer turismo. Haviam decidido morar na Fazenda Yuba, em Mirandópolis, onde o patriarca Isamu Yuba, visualizava uma nova fase cultural em sua comunidade, com a construção do teatro e o ensino da arte da escultura. O casal chegou no dia 14 de dezembro daquele ano, e
a
comunidade começava a construir o seu teatro, onde a
experiência de Hisao,
formado Do balé moderno ao yosakoi soran de Birigui
Há alguns anos, o Yuba não participa
desse evento, devido
aos afazeres de seus jovens integrantes, mas a coréografa Akiko
Ohara continua Em 2008, preparando as comemorações do
Centenário da
Imigração Japonesa, Noemia Sakai teve a ideia de montar
um grupo de yosakoi
soran Infelizmente, a professora Saki foi para o Japão, e o grupo ficou sem orientadora. Mesmo assim, com muita coragem e determinação, e sem nenhuma ajuda dos pais, os 16 jovens do Tomodachi prepararam o show, treinaram por conta própria, arrumaram um microônibus, pago pela Associação Cultural e Esportiva de Birigui e pelo Fujinkai (departamento de senhoras), e foram para o Festival. “Nem mesmo um lanche nós pais levamos para eles”, conta Monica Terumi Endoh Baba, mãe de duas dançarinas, que completa: “Quando um coordenador do evento disse-lhes que, se o grupo tivesse mais integrantes, poderia ter conseguido o terceiro lugar, eles choraram muito”. Foi então que Monica e outros pais, tios e avós perceberam que esses jovens mereciam todo o apoio da comunidade. Noemia Sakai teve de se afastar da coordenação por motivo de saúde, e Monica assumiu esse posto, sendo apresentada à coreógrafa Akiko Ohara da comunidade Yuba. E dessa vez, a própria professora Akiko resolveu aceitar o trabalho de orientar os jovens de Birigui. Desde então, ela e suas assistentes, Julia,
Emi e Marian,
viajaram todos os sábados durante quatro meses, da comunidade
Yuba até Birigui,
num percurso de quase A coreografia do Tomodachi
Os pais, por outro lado, trabalharam intensamente,
vendendo
rifas, fazendo pizzas e pastéis e até organizando
bailinhos no Carnaval para
arrecadar fundos para o grupo, que não tem patrocínio de
grandes empresas. Depois da vitória em 2010, Monica deixou a coordenação do Tomodachi, ficando Ikuo Suzuki, líder do beisebol na cidade, em seu lugar. Monica continuou ajudando nos treinos e incentivando a equipe. Este ano, o Tomodachi ganhou uma música original, composta especialmente para o grupo no Japão por Mitsushi Jindai e com arranjo de Masakatsu Yazaki. A partir dessa música, a professora Akiko criou a coreografia com o tema “Aki no Kaze” (Vento de Outono). A professora e sua equipe repetiram as viagens e a dedicação do ano anterior, e o resultado foi mais uma vitória em 2011. Questionada sobre a nova coreografia, que lembrava a
do teatro
de Takarazuka, a professora explicou que todas as danças de
palco, incluindo a
de Takarazuka, são feitas para serem apreciadas pelo
público que está no outro
lado, e nesse sentido, são semelhantes entre si (o que é
diferente do “bon
odori” que é dançado em círculo e o público
assiste ao redor). “Mas, no fundo, talvez
haja alguma influência do teatro de Takarazuka”, comentou Akiko,
hoje com 76
anos. O motivo é que o casal Haruo e Akiko Ohara sempre apreciou
o Takarazuka
e, enquanto morava no Japão, assistiu a todos os shows desse
grupo teatral
quando se apresentava A prova de que, com esforço, tudo
se consegue A coreografia foi bem elaborada, mas como treinar um grupo heterogêneo de 36 integrantes que tem desde uma menina de 7 anos a jovens de 21 anos? Sendo que uma delas é 100% deficiente auditiva? A resposta está na motivação do grupo. A professora Akiko conta que vale a pena o sacrifício ao ver crianças e jovens tão dedicados e motivados, como o Luiz Henrique Suzuki, de 17 anos, que apesar de ter que estudar para os exames vestibulares, liderou os colegas, treinando-os durante os dias da semana. Garotos empenhados como o garoto Vitor Ken Nagano, de 9 anos, que quebrou o braço a 8 dias do Festival, mas se apresentou mesmo assim, com o braço engessado. E dançou tão bem que ninguém reparou nesse detalhe. “São histórias assim que mantém o grupo unido e forte”, comenta Monica Baba.
E são histórias desse tipo que fornecem energia para a professora Akiko Ohara. Ela, por sua vez, sofre de dores nas pernas e nos pés, e adiou uma cirurgia para depois do Festival de 2010, para poder treinar os esforçados jovens. Este ano, novamente, esperou terminar o Festival para se submeter à nova cirurgia. “Ela nunca reclamou nada e só ficamos sabendo muito tempo depois”, lembra Monica. A professora Akiko Ohara e o grupo Tomodachi de Birigui mostram, com seus exemplos, que o antigo e verdadeiro espírito japonês “yamato damashii” ainda existe dentro da comunidade nipo-brasileira. Cabe a nós preservá-lo. VEJA AS FOTOS
OFICIAIS DO 9º FESTIVAL YOSAKOI SORAN AQUI O que é Yosakoi Soran? Saiba tudo no http://www.culturajaponesa.com.br/htm/festivaistopo.html Veja texto sobre o 9º Festival e outras
fotos: outras fotos do 9º Festival
Yosakoi Soran Saiba mais sobre o teatro de Takarazuka: Ópera Takarazuka Kagekidan |