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MODA
- ESTILISTAS JAPONESES por
Cristiane A. Sato Após
a 2ª Guerra Mundial, japoneses destacaram-se como estilistas de
renome e
grandes empresários. A
imprensa no ocidente tende a ver os estilistas japoneses de sucesso
como parte
de um grupo - algo que em nada reflete a realidade das carreiras de
cada um dos
designers mencionados a seguir. Nenhum deles fez parte de um grupo na
intenção
de obter coletivamente um espaço no competitivo mundo fashion.
Ao
contrário, todos tiveram de demonstrar talento e fazer valer
características
individuais para destacar seu trabalho e conquistar clientes, a
crítica e o
público. Embora individualmente tenham pouco em comum entre si -
excetuando o
fato de serem japoneses - suas criações puseram o
Japão em definitivo no mapa
da moda internacional. Os
nomes a seguir são uma referência obrigatória: Hanae
Mori Nascida
em 1926, é sinônimo da primeira autêntica grife
japonesa. Começou sua carreira
em 1951, fazendo figurinos para cinema e trabalhou com diretores
famosos, como
Yasujiro Ozu e Kimisaburo Yoshimura. Em 1963 Mori entrou para a haute
couture, abrindo estúdio Como
asiática, mulher, artista e empresária, Hanae Mori
quebrou preconceitos para
conquistar seu espaço no mundo da alta costura dentro e fora do
Japão. Suas
criações caracterizaram-se pelo uso da mais fina seda e
dos mais ricos brocados
produzidos no Japão para quimonos de luxo, mas que ela
transformou em peças de
formato ocidental clássico e acabamento impecável. Seu
tema predileto, as
borboletas – símbolo tradicional de transcendência e
transformação – aparecem
em suas coleções de formas surpreendentes. O luxo de
Hanae Mori foi usado por
seletas clientes como a Princesa Grace de Mônaco, as
primeiras-damas americanas
Nancy Reagan e Hillary Clinton, e as damas da Família Imperial
japonesa. Apesar
da idade avançada, Hanae Mori continua ativa cuidando dos
negócios de sua
grife. Kenzo Nascido
em 1940, Kenzo Takada foi o primeiro estilista japonês a
conquistar grande
sucesso comercial na Europa. Em 1960, ainda no Japão, Kenzo
ganhou um concurso
para novos estilistas e passou a trabalhar na criação de
moda feminina para a
loja de departamentos Sanai. Em 1964 Kenzo mudou-se para Paris, onde
conseguiu
vender alguns de seus designs para a maison de Louis Féraud e
trabalhar para
empresas têxteis. Em
1970 Kenzo realizou seu primeiro desfile independente onde apresentou
seu
estilo: roupas de intenso colorido, malhas folgadas e roupas informais
de corte
reto, com mangas amplas e linha dos ombros alterada como nos quimonos,
feitas
em algodão estampado japonês usado na
confecção de yukatas, num
orientalismo menos exótico e mais moderno. Diferentemente do
luxo de Hanae
Mori, Kenzo agradou aos jovens que após a era das
manifestações estudantis
procuravam um estilo alternativo, jovial e descontraído. Sua
primeira loja chamava-se “Jungle Jap”, mas no decorrer dos anos sua
presença
constante nas revistas de moda francesas e na Vogue dos dois lados do
Atlântico
fizeram seu nome ser valorizado como grife. Em 1980 suas lojas e
empresas
passaram a chamar-se apenas “Kenzo”. Em 1988 ele lançou o
primeiro perfume de
uma variada e bem sucedida linha, que continua crescendo até
hoje. Em 1993
Kenzo vendeu sua maison para o Grupo LVMH (Louis Vuitton). A grife
Kenzo passou
a ter a direção artística do estilista italiano
Antonio Marras em 2003. Yohji
Yamamoto Nascido
em 1943, Yamamoto formou-se em direito pela Universidade de Keio e em
moda pela
escola técnica superior Bunkafukuso Gakuin. Em 1969 foi
a Paris para um
estágio em moda como prêmio por vencer um concurso. De
volta ao Japão, abriu
sua empresa de confecção, a Y´s Co. Ltd. Em 1981
iniciou carreira internacional
apresentando sua primeira coleção de alta costura em
Paris, chocando a imprensa
especializada com roupas desestruturadas, em tecidos de aspecto
simples, de
cores lisas e fortes contrastando com tons neutros, enfatizando
texturas ao
invés de estampas, bordados e brocados. Visando
criar peças de design, focadas na assimetria,
sobreposições soltas e funcionalidade,
Yamamoto tornou-se conhecido nos anos 80 procurando fazer uma moda
atemporal e
minimalista, resistente às idas e vindas dos modismos de
detalhes, num
raciocínio similar ao do vestuário dos monges
zen-budistas, que há mil anos
usam quimonos sóbrios, sem ornamentos brilhantes. Entretanto,
Yamamoto é mais
lembrado por algumas de suas peças mais dramáticas e
experimentais, explorando
formas geométricas ou usando materiais inusitados, como o
vestido de madeira e
dobradiças, apresentado em 1991. Nos
anos 80 Yamamoto e outra estilista japonesa de sucesso, Rei Kawakubo,
causaram
furor em Paris com propostas ousadas e pouco convencionais. Creditam-se
a ambos
nesse período duas importantes inovações
conceituais no mundo da moda: o das
peças one size (tamanho único) e o visual urbano
minimalista em vários
tons preto sobre preto. Em
1989, as criações de Yamamoto foram objeto de um
longa-metragem produzido pelo
Museu de Arte Moderna Georges Pompidou e dirigido por Wim Wenders: Carnets
de Notes sur Vêtements et Villes. Em 1990, Yamamoto fez os
figurinos para
uma nova montagem de Madame Butterfly, produzida pela
Ópera de Lyon. Em
1994 foi agraciado com o título de Cavaleiro da Ordem das Artes
e Letras do
Ministério da Cultura da França, elevado a Oficial em
2005. Em 2002 desenhou
figurinos para dois filmes de Takeshi Kitano: “Brother” e “Dolls”. Em
1996 Yamamoto lançou seu primeiro perfume, iniciando uma
bem-sucedida linha.
Atualmente Yamamoto continua na direção artística
da Y´s, uma holding
com filiais na França, Itália e Estados Unidos que
movimenta mais de 100
milhões de dólares por ano, e embora continue atuando na
alta costura, o
carro-chefe de seus negócios são suas linhas de
prêt-à-porter de luxo e
perfumes. Rei
Kawakubo Nascida
em 1942, Rei Kawakubo é mais conhecida como fundadora da hoje
internacionalmente conhecida grife Comme des Garçons,
criada no Japão em
1969. Em 1980 Kawakubo mudou-se para Paris, onde abriu uma filial de
sua loja.
No ano seguinte chocou tanto público como a imprensa
especializada com sua
primeira coleção no ocidente. As roupas de Kawakubo eram
anticonvencionais,
desestruturadas a ponto de estarem totalmente rasgadas ou faltando uma
parte -
como blusas sem uma das mangas ou calças sem parte de uma das
pernas - sem
seguir a forma do corpo, parecendo que os tecidos estavam
desordenadamente
sobrepostos na pessoa. Numa época em que cores, de tons
pastéis a choque, eram
regra nas ruas e nas passarelas, ela trouxe o visual total em preto ou
crú. Inicialmente
vistas como ridículas e feias, as roupas de Kawakubo chamaram a
atenção dos
críticos aos poucos, que apelidaram o estilo da Comme des
Garçons de
“Hiroshima chic” - definição
bem mais friendly
que a expressão “boro look” (visual esfarrapado), cunhada pela
imprensa
japonesa para definir o estilo das roupas de Kawakubo. Em
1983 Kawakubo levou a Comme des Garçons para Nova York,
onde conquistou
um público que se identificava com o visual urbano, escuro e
decadente de suas
coleções de peças pretas, em diferentes tons de
preto. Em 1990 sua grife já
possuía 300 lojas espalhadas pelo mundo e movimentava pouco mais
de 100 milhões
de dólares Atualmente
casada com o empresário inglês Adrian Joffe, Kawakubo
continua na administração
da Comme des Garçons, que hoje produz moda feminina e
masculina, uma
variada gama de acessórios, perfumes, e móveis
residenciais e comerciais. As
atuais coleções da grife são assinadas por Junya
Watanabe, estilista que está
na Comme des Garçons desde 1984 e que é o
colaborador de maior confiança
de Kawakubo. Issey
Miyake Nascido
em 1939, Miyake formou-se em design pela Universidade de Tóquio
e em 1965
mudou-se para Paris, decidido a tornar-se um estilista, onde trabalhou
como
assistente de Guy Laroche e Hubert de Givenchy. Miyake, entretanto,
não se
identificou com a formalidade que a alta costura oferecia às
mulheres, numa
época Após
conhecer dois extremos do mundo da moda, Miyake voltou ao Japão
em 1970 e
decidiu pôr de lado tudo o que havia aprendido até
então sobre concepção e
função do vestuário, focando-se no design. A
partir disso ele produziu roupas
de cortes assimétricos estudados, com amplos tecidos sobrepostos
destacando
texturas e que podiam revelar características surpreendentes,
dependendo do
movimento da pessoa ou da maneira pela qual a peça era usada.
Tratava-se de um
raciocínio oposto ao então vigente na moda: ao
invés de valorizar-se o corte e
a costura do tecido de modo que o tecido reproduzisse as formas do
corpo,
prioriza-se o próprio tecido, que deve produzir novas formas e
volume a quem o
veste. Em
1971 ele abriu o Miyake Design Studio e passou a apresentar suas
coleções duas
vezes ao ano Após
30 anos de carreira, consagrado internacionalmente como designer
inovador, em
2000 Miyake passou a criação de suas
coleções para o estilista Naoki Takizawa,
colaborador de confiança com quem trabalha desde 1989.
Atualmente o nome de
Issey Miyake é uma verdadeira franquia internacional, que
dá prestígio a
perfumes, malas, jóias, relógios, alta costura e
prêt-à-porter de luxo. Kansai Nascido
em 1944, Kansai Yamamoto destacou-se por unir moda ao showbiz. Kansai
produziu
sua primeira coleção no Japão em 1967, mas
tornou-se internacionalmente
conhecido a partir de 1971, quando realizou seu primeiro desfile em
Londres,
tornando-se o primeiro estilista japonês a apresentar uma
coleção na capital
inglesa. Seu estilo extravagante e pop chamou a atenção
de astros da música,
como Elthon John, David Bowie e Stevie Wonder, com quem o estilista
desenvolveu
uma longa amizade e para quem produziu figurinos para shows. Um dos
trabalhos
mais conhecidos de Kansai foi o figurino para os shows Ziggy
Stardust de
Bowie, que popularizou a estética andrógina. O
colorido estilo de Kansai rendeu-lhe grande popularidade nos anos 70 no
meio do
entretenimento. Em 1974 abriu lojas de sua própria grife, a
Boutique Kansai, em
Paris, Milão, Nova York e Madrid. Embora tenha prioritariamente
se dedicado à
moda jovem nos anos 70 e 80, aos poucos Kansai desenvolveu crescente
interesse
pela produção de eventos. O formato convencional dos
desfiles de moda lhe
parecia pequeno demais, e além de desenhar figurinos ele passou
a fazer design
de iluminação e cenários . Em 1993 Kansai realizou
sua última coleção e hoje é
um mega-produtor de shows e eventos, mas sua visão alegre,
ousada e criativa de
moda, que marcou astros do rock e do pop nos anos 70, ainda inspira
gerações de
jovens estilistas. Em 2005 Kansai tornou-se consultor do governo
japonês na
área de turismo, e é presença constante na
mídia japonesa. Outros
estilistas que se destacam no meio fashion nipônico
são: Junko
Shimada Em
1981 Shimada mudou-se para Paris, onde para entrar na indústria
trabalhou para
a loja de departamentos Au Printemps e desenhou roupas infantis para a
maison
Cacharel. Shimada começou sua própria grife em 1984. Em
2003 Junko Shimada foi
admitida na Federação Francesa da Alta Costura. Sua linha
de prêt-à-porter
“49Av” tem grande sucesso no Japão e na França. Nos
últimos anos Shimada vem
apresentando regularmente suas novas coleções nas Semanas
da Moda de Paris. Jun
Ashida Começou
sua carreira em 1960, produzindo coleções de
prêt-à-porter para a tradicional
loja de departamentos Takashimaya e destacou-se como estilista pessoal
da
Princesa Consorte, atual Imperatriz Michiko, de Hiroko
Koshino Com
50 anos de carreira completados em 2007, Hiroko Koshino foi a primeira
estilista japonesa a lançar uma coleção na
Itália, no Roma Alta Moda de 1978.
Desde 1982 Hiroko Koshino lança suas coleções de
alta costura em Paris, e sua
grife de prêt-à-porter de luxo é uma das mais bem
sucedidas do Japão. Yuki
Torii Com
mais de 45 anos de carreira, Yuki Torii é bastante conhecida no
Japão e em
Paris, onde possui loja na renomada Galeria Vivienne desde 1985. Junko
Koshino Estilista
de sucesso comercial no Japão, além de
coleções de prêt-à-porter Junko Koshino
é também reconhecida como talentosa designer de
interiores e de figurinos para
teatro. Foi indicada ao Tony por seus trabalhos em
produções da Broadway. Jotaro
Saito Estilista
especializado em quimonos, Jotaro Saito é uma verdadeira grife
da indumentária
tradicional japonesa. Realizando nos últimos 10 anos desfiles
nas Semanas de
Moda de Tóquio e na JFW, Saito deu novo caráter fashion a
quimonos luxuosos e
suas criações vêm conquistando jovens. Naoto
Hirooka Mais
conhecido por sua etiqueta - h.Naoto - este jovem estilista
começou no
alternativo meio do street fashion. Com roupas e
acessórios na linha
punk/gothic lolita, sua loja Heaven Harajuku virou uma referência
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