﻿{"id":425,"date":"2013-01-22T17:36:06","date_gmt":"2013-01-22T19:36:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.japop.com.br\/?page_id=425"},"modified":"2014-02-25T20:38:55","modified_gmt":"2014-02-25T23:38:55","slug":"fashion-kimono","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.japop.com.br\/index.php\/moda\/fashion-kimono\/","title":{"rendered":"Fashion kimono"},"content":{"rendered":"<p>por Cristiane A. Sato<\/p>\n<p><b><i>observa\u00e7\u00e3o<\/i><\/b><i>: a respeito de HIST\u00d3RIA DO QUIMONO e QUIMONOS TRADICIONAIS, ver\u00a0em\u00a0<b>CULTURA TRADICIONAL (<a href=\"http:\/\/www.culturajaponesa.com.br\/?page_id=355\" target=\"_blank\">http:\/\/www.culturajaponesa.com.br)<\/a>.<\/b><\/i><\/p>\n<h1>Quimono moderno: o lado fashion do estilo tradicional<\/h1>\n<h2>O que \u00e9 um quimono moderno?<\/h2>\n<p>\u201cQuimono moderno\u201d \u00e9 o quiimono que n\u00e3o \u00e9 um quiimono hist\u00f3rico ou uma antiguidade t\u00eaxtil. Significa que n\u00e3o \u00e9 uma reprodu\u00e7\u00e3o de algum quimono de \u00e9poca e nem uma pe\u00e7a de museu. Quimono moderno s\u00e3o os quimonos de uso cerimonial, festivo ou cotidiano feitos na Era Showa (1926-1989) \u2013 os desta \u00e9poca tamb\u00e9m s\u00e3o chamados de \u201cquimonos vintage\u201d \u2013 e na Era Heisei (1989 at\u00e9 hoje).<\/p>\n<p>Muita gente acha que pelo fato do Jap\u00e3o ter se tornado uma na\u00e7\u00e3o industrializada e moderna, o quimono deixou de ser usado e virou um mero traje folcl\u00f3rico. Achar isso \u00e9 um equ\u00edvoco. O traje folcl\u00f3rico \u00e9 uma roupa que foi bastante usada num passado relativamente recente e que chegou a ser sin\u00f4nimo de um povo, mas que deixou de ser usado e de evoluir. O quiimono ainda faz parte do senso de moda no Jap\u00e3o, e continua evoluindo \u00e0 medida que gostos e estilos de vida est\u00e3o se transformando no Jap\u00e3o moderno, portanto n\u00e3o pode ser considerado um traje em desuso ou meramente folcl\u00f3rico.\u00a0<small><\/small>A prova disto \u00e9 que revistas de moda japonesas, ainda que destaquem estilos ocidentalizados, publicam com freq\u00fc\u00eancia fotos e artigos sobre o uso atual de quimonos.<\/p>\n<h2>Quem no Jap\u00e3o de hoje usa quimono todos os dias?<\/h2>\n<p>Quem quiser pode usar quimono todos os dias, desde que n\u00e3o tenha alguma restri\u00e7\u00e3o de ordem profissional, como a obrigatoriedade de uso de um uniforme. Infelizmente, como boa parte das atividades profissionais civis e todas as de car\u00e1ter militar implicam no uso de um uniforme \u00e0 ocidental, isso acaba restringindo o uso do quimono diariamente.<\/p>\n<p>Em algumas fam\u00edlias abastadas e tradicionalistas, o uso di\u00e1rio de quimonos em casa ou para sair n\u00e3o foi abandonado. Monges e monjas budistas os usam o tempo todo. Duas atividades tradicionalmente praticadas por mulheres e valorizadas na sociedade fazem com que essas profissionais usem quimonos cotidianamente: as gueixas e as hoteleiras, mais especificamente as propriet\u00e1rias de<i>ry\u00f5kans<\/i>\u00a0(hospedarias tradicionais) e spas de luxo. Outra profiss\u00e3o, n\u00e3o muito tradicional nem t\u00e3o requintada quanto a das gueixas e a das hoteleiras, mas na qual se usa o quimono com certa freq\u00fc\u00eancia, \u00e9 a das\u00a0<i>mama-sans<\/i>\u00a0(senhoras que gerenciam bares).<\/p>\n<p>O tipo de quimono mais usado dentro e fora do Jap\u00e3o \u00e9 o\u00a0<i>happi<\/i>. Vers\u00e3o popular do\u00a0<i>haori<\/i>, o\u00a0<i>happi<\/i>\u00a0\u00e9 um quimono curto com mangas estreitas usado como jaqueta ou avental desde a Era Edo (1600-1867), no qual se imprimiam s\u00edmbolos que indicavam a profiss\u00e3o de quem o vestia ou nome do estabelecimento comercial para o qual a pessoa trabalhava. Hoje \u00e9 usado diariamente e principalmente por pessoas que trabalham com comida, como os sushimen e sushichefs.<\/p>\n<h2>Quanto custa um quimono?<\/h2>\n<p>Isso varia muito. Um quimono de seda b\u00e1sico completo &#8211;\u00a0\u00a0incluindo a roupa de baixo e acess\u00f3rios obrigat\u00f3rios, num total de 12 pe\u00e7as \u2013 n\u00e3o sai por menos de 2 mil d\u00f3lares. Isso \u00e9 aplic\u00e1vel a um modelo de uso cotidiano. Um quimono mais\u00a0<i>fashion<\/i>, com estampas modernas ou geom\u00e9tricas, 3 mil d\u00f3lares. Quimonos cerimoniais ou de padr\u00e3o tradicional em geral variam de 5 mil a 10 mil d\u00f3lares, mas n\u00e3o \u00e9 raro custarem at\u00e9 mais. Uma das raz\u00f5es para um quimono custar tanto \u00e9 o grau de trabalho artesanal que seu feitio e decora\u00e7\u00e3o demandam. Os quimonos de seda s\u00e3o inteiramente feitos \u00e0 m\u00e3o e n\u00e3o s\u00e3o feitos dois iguais. Cada um torna-se uma pintura, uma obra de arte \u00fanica.<\/p>\n<p>O tecido para quimono \u00e9 vendido em rolos chamados\u00a0<i>tanmono<\/i>. Cada\u00a0<i>tanmono<\/i>\u00a0tem a quantidade exata de tecido para se fazer um quimono:\u00a013,5 metros\u00a0de comprimento. Mas a largura do\u00a0<i>tanmono <\/i>varia:\u00a038 cent\u00edmetros\u00a0se for um\u00a0<i>tanmono<\/i>\u00a0para quimono feminino, e\u00a040 cent\u00edmetros\u00a0se for um <i>tanmono<\/i>\u00a0para quimono masculino. O que \u00e9 curioso \u2013 at\u00e9 engenhoso \u2013 no\u00a0<i>tanmono<\/i>\u00a0\u00e9 que as estampas est\u00e3o feitas em pontos estrat\u00e9gicos do tecido, de modo que os desenhos se juntam ou ficam em locais previamente calculados para quando o quimono for montado na forma final. Essa caracter\u00edstica do tecido faz com que seja necess\u00e1ria uma certa habilidade \u2013 as \u201cmanhas\u201d \u2013 para se fazer um quimono, pois n\u00e3o h\u00e1 margem de erro. N\u00e3o se pode desperdi\u00e7ar nenhum cent\u00edmetro do\u00a0<i>tanmono<\/i>, e se algo for feito de errado durante o corte e a montagem do quimono, a estampa deslocada denunciar\u00e1 a falha.<\/p>\n<p>Custo \u00e9 uma das raz\u00f5es para o quimono ser uma presen\u00e7a no guarda-roupa dos japoneses ricos e que querem reconhecimento como elegantes e cultos. Se a pessoa for mais tradicionalista, ela ou ele ir\u00e1 procurar as cores t\u00edpicas de cada esta\u00e7\u00e3o e estampas correspondentes. Se for mais moderna, ela ou ele n\u00e3o ir\u00e1 se incomodar com o c\u00f3digo de cores, procurar\u00e1 estampas com as quais se identifique e usar\u00e1 o\u00a0<i>obijime<\/i>\u00a0(cord\u00e3o de acabamento usado sobre o\u00a0<i>obi<\/i>) com n\u00f3s diferentes ou na diagonal. N\u00e3o \u00e9 por acaso que as celebridades e membros do\u00a0<i>showbiz<\/i>\u00a0nip\u00f4nico n\u00e3o dispensam o quimono. Por outro lado, custo tamb\u00e9m \u00e9 uma das raz\u00f5es para seu uso restrito nos dias de hoje. Sai caro usar quimono todos os dias, pois h\u00e1 tamb\u00e9m o custo de limpeza e manuten\u00e7\u00e3o. Excetuando os de algod\u00e3o, que podem ser lavados com \u00e1gua \u2013 embora isso desgaste o tecido mais r\u00e1pido do que a lavagem a seco &#8211; os de seda s\u00e3o muito fr\u00e1geis e n\u00e3o podem ser lavados a seco do mesmo modo que ternos e vestidos. \u00c9 preciso levar a servi\u00e7os especializados, que sabem desmontar todo o quimono, limpar o tecido adequadamente, e recostur\u00e1-lo.<\/p>\n<h2>\u00c9 complicado vestir um quimono?<\/h2>\n<p>Para quem n\u00e3o tem as \u201cmanhas\u201d, \u00e9. Uma das caracter\u00edsticas do quimono \u00e9 seu corte reto e amplo, feito propositalmente para ajustar-se ao corpo de quem o veste e que, por isso, permite que o mesmo quimono possa ser usado por pessoas de diferentes tamanhos (dizem que Yohji Yamamoto inspirou-se nessa caracter\u00edstica do quimono para criar o conceito do\u00a0<i>one size fits all<\/i>\u00a0para roupas ocidentais). Entre os japoneses quimonos e\u00a0<i>obis<\/i>\u00a0integram heran\u00e7as &#8211; as melhores pe\u00e7as passam de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, como j\u00f3ias de entes queridos que se foram. Para o quimono ser ajustado ao corpo compensa-se a simplicidade do corte com uma t\u00e9cnica de amarras e dobras art\u00edsticas, e acess\u00f3rios de fixa\u00e7\u00e3o e sustenta\u00e7\u00e3o dos tecidos. Usar um quimono exige\u00a0<i>know-how<\/i>\u00a0e etiqueta &#8211; a t\u00e9cnica de vestir quimonos \u00e9 chamada de <i>kitsuke<\/i>. Mas este \u00e9 um conhecimento que nem sempre os mais jovens preocupam-se em adquirir, e infelizmente fortunas em seda e brocados t\u00eam sido negligenciadas.<\/p>\n<p>Existe um aspecto que ocidentais em geral t\u00eam muita dificuldade para entender em se tratando de quimonos. Para os japoneses, o quimono \u00e9 mais que uma roupa: \u00e9 estilo de vida e religi\u00e3o. Um quimono n\u00e3o \u00e9 algo a ser descartado na pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o, depois de alguns usos. O quimono est\u00e1 ligado \u00e0 religi\u00e3o xinto\u00edsta e aos fundamentos da filosofia e da cultura japonesa, de forma que vestir um quimono sem praticar a etiqueta correta chega a ser ofensivo aos japoneses. Assim, n\u00e3o basta ter dinheiro para comprar um quimono e saber como vesti-lo \u2013 \u00e9 necess\u00e1rio aprender como se portar usando um quimono. Para isso existem cursos e livros especializados\u00a0em\u00a0<i>o kitsuke<\/i>. Os\u00a0verdadeiros praticantes de Cerim\u00f4nia do Ch\u00e1 tamb\u00e9m aprendem\u00a0<i>o kitsuke<\/i>, pois uma coisa est\u00e1 ligada \u00e0 outra.<\/p>\n<p>Nos cursos de <i>kitsuke<\/i>\u00a0a pessoa aprende n\u00e3o apenas a vestir adequadamente o quimono, mas tamb\u00e9m a usar o quimono nas mais variadas situa\u00e7\u00f5es (andar, sentar-se, comer, servir, etc.), a pentear-se, maquiar-se e a fazer a manuten\u00e7\u00e3o do quimono (dobrar e guardar corretamente a pe\u00e7a, pequenas limpezas, etc.).<\/p>\n<p>Se por um lado custo e conhecimento d\u00e3o ao quimono uma aura de roupa elitista, estilistas e lojas especializadas no Jap\u00e3o est\u00e3o procurando difundir cada vez mais o conceito do\u00a0<i>fashion kimono<\/i>\u00a0\u2013 quimonos semi-industrializados, em tecidos mistos, com cores e estampas modernas, que sejam mais acess\u00edveis ao bolso e ao gosto de uma clientela jovem com estilos de vida urbanos. S\u00e3o quimonos de uso di\u00e1rio, que precisam ser confort\u00e1veis, f\u00e1ceis de vestir, mas que mantenham o ar de eleg\u00e2ncia tradicional. Para isso novidades como\u00a0<i>obis<\/i>\u00a0de n\u00f3 pronto em tecidos que n\u00e3o deformam e que podem, por exemplo, ser usados por quem guia um carro, fazem parte de uma s\u00e9rie de inova\u00e7\u00f5es que visam fazer com que o quimono continue em uso.<\/p>\n<h2>Existe quimono de grife?<\/h2>\n<p>Alguns estilistas que j\u00e1 fazem sucesso com moda ocidentalizada produzem acess\u00f3rios para quimono com suas assinaturas, para comercializa\u00e7\u00e3o exclusiva no Jap\u00e3o. Mas ter um Jotaro Saito \u00e9 um sonho de consumo para as mulheres que curtem um\u00a0<i>luxury fashion kimono.<\/i><\/p>\n<p>Desconhecido no exterior mas famoso no Jap\u00e3o, o estilista Jotaro Saito vem dando\u00a0<i>new glam<\/i>\u00a0ao estilo tradicional, lan\u00e7ando luxuosas cole\u00e7\u00f5es de quimonos com toques de modernidade nas edi\u00e7\u00f5es da Japan Fashion Week.<\/p>\n<h2>Existe no Jap\u00e3o algum preconceito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s roupas ocidentais?<\/h2>\n<p>Hoje, n\u00e3o. Mas tem gente que ainda acredita nessa id\u00e9ia de conflito entre o ocidental e o oriental na moda do Jap\u00e3o porque houve tempos em que isso de fato ocorreu &#8211; mais especificamente na Era Meiji (1868-1912). A origem dessa discuss\u00e3o foi um conflito pol\u00edtico e ideol\u00f3gico que dividiu o pa\u00eds e causou uma guerra civil.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX as pot\u00eancias ocidentais industrializadas implantaram uma corrida colonialista na \u00c1frica e na \u00c1sia, e o Jap\u00e3o da \u00e9poca era uma na\u00e7\u00e3o isolada do mundo, com uma sociedade feudal e economia agr\u00e1ria, dominada pelos x\u00f3guns da fam\u00edlia Tokugawa. Em 1853 uma frota de navios americanos chegou \u00e0 ba\u00eda de T\u00f3quio e exigiu a tiros de canh\u00f5es que o Jap\u00e3o abrisse seus portos. Pouco tempo depois, os Estados Unidos conseguiram do x\u00f3gum tratados comerciais extremamente favor\u00e1veis aos interesses americanos. A conseq\u00fc\u00eancia disso foi que em seguida outras na\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias conseguiram dos japoneses tratados similares, que em poucos anos causaram uma grave crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica no Jap\u00e3o. Essa situa\u00e7\u00e3o de coisas causou uma guerra civil no Jap\u00e3o em 1867, tendo de um lado os que defendiam a expuls\u00e3o dos estrangeiros e o endurecimento do sistema xogunal, e do outro os que defendiam a devolu\u00e7\u00e3o do poder ao Imperador e a industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em moldes ocidentais. Essa guerra terminou com a vit\u00f3ria dos que defendiam o Imperador, o que por tabela significou a extin\u00e7\u00e3o do sistema samurai, e a ocidentaliza\u00e7\u00e3o e industrializa\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00f3 que o fim dessa guerra por si n\u00e3o bastou para que o conflito pol\u00edtico-ideol\u00f3gico tamb\u00e9m acabasse, e nos anos subseq\u00fcentes o Jap\u00e3o continuou dividido entre tradicionalistas e ocidentalizados. O filme \u201cO \u00daltimo Samurai\u201d retrata esse per\u00edodo no Jap\u00e3o pois, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do personagem do Tom Cruise, todo o resto do filme foi baseado em fatos hist\u00f3ricos. Essa situa\u00e7\u00e3o fez com que durante cem anos o debate entre tradi\u00e7\u00e3o e ocidentaliza\u00e7\u00e3o tivesse defensores extremados de ambos os lados. No s\u00e9culo XX, o caso mais famoso que encarnou esse conflito de valores foi o do escritor Yukio Mishima, que em 1970 cometeu haraquiri na sede das For\u00e7as de Defesa do Jap\u00e3o em protesto contra o excesso de ocidentaliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A necessidade de industrializar-se rapidamente na Era Meiji fez com que o Jap\u00e3o passasse por um per\u00edodo de transforma\u00e7\u00f5es radicais e intensas, inigual\u00e1vel at\u00e9 hoje em toda sua hist\u00f3ria. Em 1871 o governo japon\u00eas enviou uma miss\u00e3o diplom\u00e1tica chamada Miss\u00e3o Iwakura, que viajou por 3 anos pelos Estados Unidos, Alemanha, Fran\u00e7a e Inglaterra para estudar a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, e que trouxe informa\u00e7\u00f5es que mudaram as institui\u00e7\u00f5es, a economia e at\u00e9 o estilo de vida no Jap\u00e3o em moldes ocidentalizados. Moda e etiqueta ocidental fizeram parte do pacote. Cartilhas sobre vestu\u00e1rio ocidental foram desenhadas e publicadas, para que a popula\u00e7\u00e3o pudesse aprender a usar roupas europ\u00e9ias.<\/p>\n<p>A industrializa\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e a passos largos fez com que uma classe de emergentes surgisse, formada por comerciantes, industriais e banqueiros. Chamados de\u00a0<i>narikins<\/i>\u00a0(novos-ricos), eles seguiam \u00e0 risca a cartilha da ocidentaliza\u00e7\u00e3o promovida pelo governo Meiji: as mulheres vestiam-se na \u00faltima moda de Paris, com vestidos drapeados, espartilhos e anquinhas, e os homens usavam fraques pretos e cartolas na \u00faltima tend\u00eancia de Londres. Nova elite do pa\u00eds, os\u00a0<i>narikins<\/i>\u00a0desprezavam tudo que remetia aos \u201cvelhos tempos\u201d, inclusive os quimonos. Mas a aristocracia e membros do\u00a0<i>old money<\/i>nip\u00f4nico viam os\u00a0<i>narikins<\/i>\u00a0como a plat\u00e9ia v\u00ea o personagem principal de \u201cO Burgu\u00eas Fidalgo\u201d de Moli\u00e8re, e embora as roupas ocidentais fossem caras, o visual europeizado tornou-se sin\u00f4nimo de gente rica mas nem sempre culta ou educada \u2013 algo importante num pa\u00eds onde ainda hoje etiqueta rege todas as rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>Foi assim que no s\u00e9culo XIX criou-se a express\u00e3o\u00a0<i>wafuku<\/i>\u00a0para designar roupas de caracter\u00edsticas japonesas e\u00a0<i>y\u00f5fuku<\/i>\u00a0para designar roupas ocidentais, e uma estranha rela\u00e7\u00e3o de amor e \u00f3dio pelas roupas ocidentais teve in\u00edcio no Jap\u00e3o. Amor porque as roupas ocidentais, por um lado, inspiravam a riqueza e o glamour de um mundo que era desconhecido pelos japoneses. Ao mesmo tempo, por outro lado, havia \u00f3dio pois a roupa ocidental era um s\u00edmbolo da invas\u00e3o estrangeira e de seu menosprezo pelas tradi\u00e7\u00f5es japonesas.<\/p>\n<p>Essa dicotomia na moda japonesa teve per\u00edodos de maior e menor intensidade ao longo do s\u00e9culo XX, mas a resist\u00eancia \u00e0s roupas ocidentais praticamente n\u00e3o existe mais. Atualmente a dicotomia deu lugar a um consumo apaixonado por marcas, que deu aos japoneses a fama de \u00e1vidos compradores de grifes e acess\u00f3rios de luxo. E se durante d\u00e9cadas os japoneses copiaram modelos e tend\u00eancias do eixo Paris-Londres-Nova York, atualmente a moda ocidental recebe muita influ\u00eancia das passarelas e das ruas japonesas. Ao inv\u00e9s de ocidente versus oriente, o que vemos hoje \u00e9 que a moda no Jap\u00e3o prop\u00f5e uma inventiva e surpreendente mistura de ambos os mundos.<\/p>\n<h2>Existe diferen\u00e7a nas roupas ocidentais feitas para o mercado japon\u00eas?<\/h2>\n<p>O mercado japon\u00eas para roupas ocidentalizadas tem algumas particularidades. A modelagem no Jap\u00e3o \u00e9 um pouco diferente da europ\u00e9ia e da americana, devido a caracter\u00edsticas f\u00edsicas da popula\u00e7\u00e3o e a gostos locais. Para os homens, a roupa ocidental \u00e9 sin\u00f4nimo de praticidade, e para as mulheres al\u00e9m de praticidade existe o\u00a0<i>yume<\/i>\u00a0(sonho), seja de consumo ou de romantismo, que o ocidente lhes inspira. Homens e mulheres no Jap\u00e3o preferem bolsas pequenas ou m\u00e9dias (no Jap\u00e3o os homens s\u00e3o grandes consumidores de bolsas, e usam cores tidas como exclusivamente femininas no ocidente, como os tons claros de rosa e p\u00eassego, s\u00e3o consideradas unissex no Jap\u00e3o). Para agradar as japonesas, estilistas ocidentais procuram introduzir detalhes delicados, tons past\u00e9is, estampas florais e la\u00e7os em roupas e acess\u00f3rios, mesmo quando o romantismo adocicado n\u00e3o \u00e9 a tend\u00eancia na Europa e nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Grafia correta: em ingl\u00eas \u201ckimono\u201d, em portugu\u00eas prefira \u201cquimono\u201d.<\/p>\n<p>Veja a continua\u00e7\u00e3o: <a href=\"http:\/\/www.japop.com.br\/?page_id=2\" target=\"_blank\">Moda Japonesa &#8211; Geral<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.japop.com.br\/?page_id=427\" target=\"_blank\">Estilistas Japoneses<\/a><br \/>\n<small><small><strong><big><big><small><big>Ao usar informa\u00e7\u00f5es deste site, n\u00e3o esque\u00e7a de citar a fonte:<br \/>\nwww.japop.com.br\/ Cristiane A. Sato<\/big><\/small><\/big><\/big><\/strong><\/small><\/small><\/p>\n<p>Ao citar a fonte, voc\u00ea est\u00e1 colaborando para que mais conte\u00fado de qualidade seja colocado na internet em portugu\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Cristiane A. Sato observa\u00e7\u00e3o: a respeito de HIST\u00d3RIA DO QUIMONO e QUIMONOS TRADICIONAIS, ver\u00a0em\u00a0CULTURA TRADICIONAL (http:\/\/www.culturajaponesa.com.br). Quimono moderno: o lado fashion do estilo tradicional O que \u00e9 um quimono moderno? \u201cQuimono moderno\u201d \u00e9 o quiimono que n\u00e3o \u00e9 um quiimono hist\u00f3rico ou uma antiguidade t\u00eaxtil. 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